O guia definitivo sobre paredes no Revit: cebola x empilhada x composta (Pós e Cons)

Introdução

Modelar paredes no programa Revit Architecture parece uma tarefa muito simples em se tratando de uma plataforma BIM. A substituição de linhas, arcos e círculos da representação do AutoCAD por objetos paramétricos 3D deu aos profissionais uma maior flexibilidade e agilidade em seus projetos. Entretanto, começam a surgir dúvidas sobre a melhor forma de se modelar cada parede. Alguns usuários, buscando agilidade, acabam por escolher as paredes cebolas (aquelas formadas por várias camadas sobrepostas individualmente), outros trabalham apenas com as paredes compostas (várias camadas agrupadas) e há ainda, aqueles que não abrem mão de paredes empilhadas (uma em cima da outra). Nesse post, vamos entender cada estilo e desvendar os pontos positivos e negativos de cada fluxo de trabalho.

Os tipos de paredes no Revit

Antes de entender cada tipo de parede, é importante saber qual uso do BIM será utilizado para aquele modelo. Você terá um workflow diferente se estiver modelando para orçamento ou para um projeto de autoria (Arquitetônico).

“-Como assim, Artur?”.

Simples. Ao usar o Revit para fazer a modelagem de um projeto arquitetônico, nem sempre o usuário está preocupado com a modelagem do sistema construtivo e equipamentos. O arquiteto poderá gastar mais tempo nas configurações de materiais realísticos pensando na renderização e apresentação do projeto. O que não é necessariamente verdade para o engenheiro de custos, que pode modelar um revestimento cerâmico de piso utilizando o comando forro/ceiling acima da laje estrutural (é bem mais rápido modelar dessa forma e o programa dá exatamente a área necessária para o orçamentista calcular o revestimento. Entretanto, não é correto em termos de interoperabilidade e outros usos do BIM).

Veja templates revit aqui

-Então existe uma receita de bolo?

Não! O que existem são boas práticas. Como mencionei acima, dependendo do uso do BIM que será utilizado o workflow poderá mudar consideravelmente. Eis a necessidade do BIM Manager para gerir esses processos. Com o tempo, cada usuário desenvolverá seus truques e artifícios para ganhar velocidade no percusso. É por isso que normas e guias são necessários para evitar a criação de modelos grotescos. E é exatamente aqui que entram as paredes cebolas, compostas e empilhadas. Nenhuma é proibida, mas precisamos entender as suas limitações antes de criticá-las ou louvá-las.

Comentário do autor: Eu uso uma combinação das três, dependendo do projeto e objetivo final. As compostas são ótimas para concepção; as cebolas são ótimas para pequenos projetos; já as empilhadas, são as melhores para orçamento. No geral, eu invisto mais tempo nas empilhadas já que construir virtualmente não é só modelar paredes genéricas.

Vamos entender isso melhor?

1) Paredes Compostas

“Assim como telhados, os pisos e forros podem consistir de múltiplas camadas horizontais. Já as paredes podem ser constituidas de mais de uma camada ou região vertical. (alvenaria, chapisco, massa única, massa acrílica/corrida, pintura, etc).

A posição, espessura e material para cada camada e região são definidas através das propriedades de tipo da parede usando a caixa de diálogo > Editar montagem.

É importante notar também que para cada camada devemos atribuir uma função com valores entre 1-5. Quanto menor o valor, maior é o seu grau de hierarquia com relação a outros elementos. Por exemplo: a função Estrutura [1] tem maior hierarquia que a função Substrato [2]. Isso quer dizer que em uma interseção de uma parede com um piso, as camadas com função de Acabamento [5] e Acabamento [4] do piso serão sobrepostas pelas camadas de acabamento e de estrutura da parede visto que elas possuem maior hierarquia. Veja a imagem abaixo para entender melhor esse conceito.

Note que ao substituir a função de uma das camadas do piso de Acabamento [4] para Thermal/Air Layer [3] a interseção entre a parede e a laje é alterada, visto que agora a camada do piso possui uma hierarquia maior que as camadas da parede, com exceção da estrutura de alvenaria.

2) Paredes Cebola

As paredes cebolas são formadas como associações horizontais de paredes compostas. Por exemplo, no lugar de ter uma parede com camadas de alvenaria e revestimento, poderíamos ter uma parede para representar a alvenaria e outra para representar o revestimento (Tipo as camadas de uma cebola). Dessa forma, o usuário poderia facilmente modelar o revestimento cerâmico de banheiros, por exemplo. Esse fluxo de trabalho é bastante utilizado quando se quer representar uma parede com revestimento em um dos lados que não vai até o topo da laje. 

3) Paredes Empilhadas

As paredes empilhadas são aquelas compostas de 2 ou mais subparedes empilhadas no topo de cada uma. Essas subparedes podem ter diferentes espessuras de parede em diferentes alturas e são anexadas com suas geometrias unidas. Esse tipo de parede pode ser utilizado para representar de uma só vez a camada de pedra argamassada, a viga baldrame, a alvenaria e o seu cintamento superior.

Pós e contras

Para definir as vantagens e desvantagens de cada tipo, precisamos tomar como base um sistema construtivo. Nesse caso, vamos simular uma edificação onde as paredes são compostas de alvenaria + pintura ou revestimento cerâmico. Nesse exemplo, tomaremos como estudo as paredes internas, onde o revestimento só vai até o forro.

Tipo Parece Composta Parede Cebola Parede Empilhada
+ São as mais simples de serem modeladas e já levam em conta todas as camadas de uma vez só. Também são as que geram a melhor performance para o software, visto que são representadas por apenas um tipo. Conseguem facilmente resolver o problema do revestimento que não vai até o topo e são muito ágeis para se modelar São as que melhor representam o sistema construtivo de forma única e seu lançamento é facilitado devido ao empilhamento automático. Esse tipo de parede também é superior as paredes cebolas em termos de memória e performance do computador para grandes projetos.
Para os casos onde a partir de certa altura não existe revestimento em um dos lados, seria necessário  duplicar o tipo para criar uma parede sem revestimento em um dos lados e modelar manualmente uma parede sobre a outra.*  A modelagem manual do empilhamento se tornaria inviável em grandes projetos Podem causar problemas em caixilhos de portas e janelas e impedem o lançamento desses elementos em 3D, visto que o Revit só considera uma das paredes como hospedeiro, criando a necessidade de unir manualmente todas as paredes que fazem parte do conjunto “cebola”.
As modificações nesse tipo de parede são prejudicadas quando as mesmas estão dentro de algum grupo. Além disso, o projeto se torna muito pesado em casos mais complexos.
Necessitam um maior número de tipos de parede que as paredes cebola ou compostas.

*Outra opção seria o uso do comando “Parts”, mas é algo puramente gráfico e pode gerar problemas em outros processos de orçamentação.

Considerações Finais

Como podemos notar, não existe forma certa ou errada de se modelar. O fluxo escolhido vai depender da decisão do BIM Manager ou do seu escopo de trabalho. Para pequenos projetos, geralmente é mais interessante usar paredes cebola. Entretanto, quando o projeto se torna mais complexo esse fluxo se torna inviável. As paredes empilhadas geralmente são uma melhor solução, mas vão ser um pouco mais trabalhosas no momento da modelagem e o usuário precisará criar um número bem maior de tipos para atingir o mesmo resultado. Para os usuários iniciantes, não existe uma grande necessidade de sair das paredes compostas. Entretanto, é bom ir ficando familiar com as outras soluções para quando as novas demandas aparecerem. Se você é um usuário mais avançado, invista nas paredes empilhadas. Elas podem ser a solução!

Vídeos

A DTM Labs produziu dois vídeos super explicativos sobre os diferentes tipos de paredes. Aproveite!

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Artur Feitosa

Engenheiro Civil e consultor BIM com pós-graduação pela Zigurat Global Institute of Technology - International Master BIM Manager. Atualmente é Coordenador BIM da Construtora Avante, sócio-proprietário do HUB360 Academy, fundador da BIMExperts e certificado profissional Autodesk. Foi bolsista da CAPES pelo programa ciência sem fronteiras onde estudou nas seguintes universidades: Rider University (ELI), Arizona State University (Civil Engineering) e Carnegie Mellon University (Research - BIM). Trabalha com implantação BIM e já palestrou em diversos eventos com foco na área. Seu forte é Building Information Modeling e sua paixão é o empreendedorismo. Mais informações e contato: https://about.me/arturfeitosa LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/arturfeitosa

3 comentários em “O guia definitivo sobre paredes no Revit: cebola x empilhada x composta (Pós e Cons)

  • 06/02/2018 em 4:20 PM
    Permalink

    Artur, muito bom o guia! Só uma coisa que acabei notando nos contras das paredes compostas, tem um jeito de fazer as camadas terem alturas diferentes.

    Resposta
    • 06/02/2018 em 10:47 PM
      Permalink

      Boa, Igor. Curiosidade… você já testou isso com relação aos quantitativos? Pois usando parts os quantitativo não alteram. É uma modificação gráfica apenas.

      Resposta
    • 07/02/2018 em 11:01 AM
      Permalink

      Eu iria fazer a mesma pergunta, é um bom questionamento se afeta somente a parte gráfica, eu sei que para o Navisworks é possível separar as partes sim, mas através do plugin e precisa selecionar a opção.

      Resposta

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