Contexto BIM no Brasil e no Mundo

Como se desenvolve o BIM pelo mundo?

Países como Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Noruega e Estados Unidos da América já exigem o uso do BIM em projetos custeados pelo governo. No Brasil, já existem incentivos por parte de alguns órgãos como, por exemplo, o Exército Brasileiro, o governo estadual de Santa Catarina, o BNDES, a caixa econômica federal, etc.

O desenvolvimento de medidas sobre tecnologias da informação e comunicação (TIC) de processos é uma área fundamental para inovação na União Européia. Isso se dá pela possibilidade de otimizar o setor construtivo, reduzir perdas e diminuir o consumo de energia. Dessa forma, a modelagem de informação da construção tem sido cada vez mais usada pelos membros da UE como um facilitador do processo, aliado à rapidez, economia e sustentabilidade (KASSEM; AMORIM, 2015).

 

1 Contexto Brasileiro

O Brasil vem desenvolvendo medidas para regular, capacitar e difundir o BIM nacionalmente. Isso inclui protocolos BIM, especificações de novos profissionais e, juntamente com o SENAI, o desenvolvimento de programas de capacitação. Procura-se desenvolver diretrizes para o aprendizado BIM a nível superior federal e treinamento profissional (KASSEM; AMORIM, 2015).

Apesar de o BIM vir se desenvolvendo bem, existe ainda um agravante nacional quanto à interoperabilidade. Os processos de formação de preços e de contratação são, majoritariamente, baseados em licitação por menor preço, o que cria uma lacuna entre projeto e execução, indo na contramão do que propõe o processo BIM. Diferentemente do Brasil, em países mais desenvolvidos, o conceito do Integrated Project Delivery (IPD) é realidade e resulta em empreendimentos com mais qualidade, eficácia e colaboração entre projetistas, construtores, governo e partes interessadas (KASSEM; AMORIM, 2015).

Visando esse desenvolvimento no país, foi criado o Projeto de Apoio aos diálogos Setoriais UE-Brasil, com o objetivo de contribuir na parceria estratégica entre o Brasil e a União Européia através do intercâmbio de conhecimento técnico. O projeto é coordenado pelo MPOG e pela DELBRA. O estudo tem como objetivo selecionar dois peritos sênios, um do Brasil e um da Europa, para avaliar o nível que se encontra o BIM nos países envolvidos em termos públicos e privados, visando a colaboração mútua de ambas as partes no desenvolvimento BIM (MANZIONE, 2015).

Os consultores escolhidos pelo Projeto de Apoio aos diálogos Setoriais UE-Brasil quanto ao desenvolvimento do BIM sugeriram a abordagem em estágios da tabela 1 para tornar o BIM mandatório em programas financiados pelo Governo Federal.

Tabela 1 – Abordagem BIM sugerida pelos autores do Projeto de Apoio aos diálogos setoriais União-Européia- Brasil.

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2 Contexto Inglês

Em 2011 foi criada a Estratégia de Construção do Governo do Reino Unido, que tinha como objetivo o incentivo do uso da tecnologia BIM nos meios públicos e privados. Além disso, o governo buscava a redução dos custos dos projetos de construção em 20%, assim como a redução da emissão de carbono. O documento exigia o uso do BIM 3D totalmente colaborativo (Nível 2) até 2016 (KASSEM; AMORIM, 2015).

Com muitos entraves na adoção devido a falta de sistemas, normas e protocolos o gabinete do governo se responsabilizou por emitir tais documentos. Em 2012 surgiu a Estratégia de Pousos Suaves do Governo (GSL) com o objetivo de auxiliar na transição entre a fase conceitual de projeto e construção e a fase de operação.(KASSEM; AMORIM, 2015)

Figura 1 – Níveis de maturidade BIM no Reino Unido.

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Fonte: GCCG (2011).

O GLS recomendava que a estratégia BIM combinasse duas correntes:

[1] elementos de impulso, visando a orientação, treinamento, materiais e processos comuns para a adoção das novas práticas; [2] elementos de estímulo, através da exigência, por parte do governo, de práticas BIM para garantir a entrega digital consistente de modelos 3D.

Além disso, foi definido que o Construction Operations Building Information Exchange (COBie*) fosse utilizado como “uma estrutura de dados para fornecer informações consistentes e estruturadas de bens úteis ao proprietário e aos operadores no processo de tomada de decisões” (KASSEM; AMORIM, 2015).

COBIe* – é um formato de dados para a publicação de um subconjunto de informações necessárias para a gestão e operação do edifício.

O último documento emitido foi o Construção 2025, iniciativa do governo britânico juntamente com a indústria, que possui três objetivos base:

[1] Reduzir os gastos iniciais com edificações e manutenção em 33%;

[2] Reduzir a emissão de gases do efeito estufa nos ambientes urbanos em 50%;

[3] Reduzir o tempo médio entre o projeto conceitual e a realização de novos edifícios em 50%”. Além disso, define que entre 2016 e 2025 o país deverá atingir o nível de maturidade BIM level 3 (Colaboração Integrada) (KASSEM; AMORIM, 2015).

3 Contexto Americano

Em 2003, a General Services Administration (GSA) formulou o programa nacional denominado 3D-4D-BIM Program. Em 2006 o BIM passou a ser obrigatório em todos os projetos custeados pela GSA, responsável pelos prédios federais nos EUA, exceto os militares.

4 Contexto Francês

A publicação do relatório técnico Actions pour la relance de la construction de logement, em 2014 visou otimizar o setor de habitação e uma das ações prioritárias foi incentivar a inovação com construção digital e BIM. Tal medida deverá exigir progressivamente a adoção de práticas BIM em licitações públicas a partir de 2017 (KASSEM; AMORIM, 2015).

Guias e protocolos ainda estão em desenvolvimento no país, mas o guia de Planejamento de Projeto Executivo BIM, da Penn State University vem sendo utilizado como base. Ainda, a Syntec Ingénierie vem desenvolvendo um guia para os níveis de detalhe e representações BIM. (KASSEM; AMORIM, 2015). Apesar de não ser obrigatório o uso do BIM no país, o nível de adoção é da órdem de 40% dos arquitetos, 29% das empreeiteiras e 44% dos engenheiros (McGraw Hill Construction, 2010).

5 Contexto Holandês

A partir de novembro de 2011 foi decretado que o BIM e o IFC fossem requeridos em todos os projetos centrais do governo com valores contratuais maiores que 10 milhões de euros. A estratégia e a visão BIM no país são controlados pela Rijksagebauwendienst (RGD), que utiliza como guia o documento RVB BIM Norm Version 1.1 de 2013 (KASSEM; AMORIM, 2015).

6 Contexto Finlandês

A Senates Properties é o ator líder à respeito do BIM na Finlândia. Em outubro de 2007 ficou exigido o uso do BIM e IFC em obras públicas, apesar de não existirem orientações contratuais disponíveis ao público. Em 2012 foi lançado o manual “Objetivos orientados à tecnologia BIM” (COBIM). Em pesquisa junto à NBS, 65% dos 46 entrevistados da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO) já relatam utilizar a tecnologia BIM (KASSEM; AMORIM, 2015).

7 Contexto Norueguês

Orientações BIM se tornaram obrigatórias em todos os projetos públicos a partir de 2010. Entretanto, ainda não existem documentos contratuais sobre questões de propriedade intelectual e de cunho legal sobre implementação. Na Noruega, a Stabbygg é a principal entidade idealizadora e implementadora de estratégias BIM. Recentemente foi emitida uma nota informando que todos os programas de computadores BIM
deveriam se adequar ao formato livre (OpenBIM) (KASSEM; AMORIM, 2015).

Conclusão

Acredita-se que é só questão de tempo para que o BIM se torne mandatório nas principais obras governamentais. A tecnologia ainda está em fase preliminar no país, com algumas exceções. Isso ocorre principalmente por falta de conhecimento técnico, falta de exigência governamental e ausência de profissionais bem capacitados. Sugere-se uma maior participação das partes envolvidas no processo para que melhores benefícios sejam alcançados dada a importância da tecnologia no impacto da nossa indústria em resultado aos seus aspectos econômico, estratégico e ambientais.

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Artur Feitosa

Engenheiro Civil e consultor BIM com pós-graduação pela Zigurat Global Institute of Technology – International Master BIM Manager. Atualmente é Coordenador BIM da Construtora Avante, sócio-proprietário do HUB360 Academy, fundador da BIMExperts e certificado profissional Autodesk. Foi bolsista da CAPES pelo programa ciência sem fronteiras onde estudou nas seguintes universidades: Rider University (ELI), Arizona State University (Civil Engineering) e Carnegie Mellon University (Research – BIM). Trabalha com implantação BIM e já palestrou em diversos eventos com foco na área. Seu forte é Building Information Modeling e sua paixão é o empreendedorismo.

Mais informações e contato: https://about.me/arturfeitosa
LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/arturfeitosa

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