Como (e porque) comecei a trabalhar com BIM

Entediado? Frustrado? Preso em uma rotina? O seu trabalho parece não ter sentido? Sente que seu potencial está sendo subutilizado? Sabe que pode causar um impacto muito maior no mundo? 

Eu imagino que todas as pessoas do mundo passaram por isso. E se pegaram imaginando: Como seria se eu gostasse realmente desse tempo que trabalho (ou estudo), fazendo algo importante e significativo, algo que importa?

Se todas elas não passaram, pelo menos uma pessoa eu garanto à você que passou, no caso eu. Eu passei por isso e você não está sozinho.

Ainda na faculdade, eu fiz vários estágios: escritórios de instalações sanitárias, escritórios de arquitetura, escritórios com foco em estruturas... E no final do dia a sensação era exatamente a mesma: letargia.

letargia
substantivo feminino
psicop estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir.
p.ext. incapacidade de reagir e de expressar emoções; apatia, inércia e/ou desinteresse.

Ou segundo a versão da Wikipedia (amo de paixão),

letargia é caracterizada por um estado de inércia absoluta onde a pessoa tudo percebe e compreende, mas se encontra totalmente impossibilitada de reagir de qualquer forma.

Quando pensava no que tinha feito durante o meu dia parecia que a soma de todas as linhas desenhadas (sim, muito AutoCAD), todos os pré-dimensionamentos e todos os dimensionamentos não representavam nada. Era quase que como se tivesse passado o dia todo em um estado  de inconsciência. Não me entendam mal. Eu sempre amei a Engenharia Civil, do começo ao fim. Mas a sensação que eu tinha era de que eu era só mais uma e que meu esforço, sendo ele grande ou pequeno,  não fazia diferença alguma, não causava impacto nenhum. Tinha a consciência de que eu atuava em uma indústria que tinha (e ainda tem) muito o que mudar e evoluir, uma indústria com possibilidades incríveis, mas não me sentia parte dessa mudança.  Meio deprê né? Pois é... Me sentia assim todos os dias, mas me mantinha em um estado de inércia absoluto.

Até que eu tive um blink, um momento de clareza e lucidez, no qual percebi que era a minha vida que eu estava procrastinando. Era o meu tempo que eu estava desperdiçando. Eu estava roubando de mim mesma, passando pela minha vida sem me engajar com ela. Eu estava vivendo sem consciência, sem paixão, sem viver de fato... Nesse momento, eu julgo ter sido meu "awakening", eu tomei a decisão de procurar minha paixão dentro da Engenharia Civil. E como eu fiz isso? Estudando, pesquisando, explorando... Sabia que engenharia civil me encantava, sabia também que trabalhar no formato em que eu trabalhava não era o que eu procurava... Me permiti fazer um estágio em execução de obras (e gostei muito! A possibilidade de você ver aquilo que você planejou, tomando forma no mundo real, vendo a felicidade estampada no rosto das pessoas quando elas entravam naquele apartamento é singular)... Investi em diversos cursos. Todo trabalho que me era dado na faculdade, eu via como uma oportunidade de me auto explorar. E não foi fácil. Críticas externas sempre houveram: "Nossa por que você faz tudo isso?", cansaço, poucas horas de sono...

E finalmente percebi que meus olhos tinham um brilho diferente quando eu pensava e falava de sustentabilidade. Comecei a pesquisar sobre gestão ambiental, ISO 9000, ISO 14000, ISO 18000, LEED, AQUA, BREEAM, HQE, Procel, Selo Casa Azul, LCA, EPD....  Me envolvi profundamente (tanto que hoje, sou LEED GA e quero ser muito mais). E estudando mais e mais e mais sobre sustentabilidade tive um outro blink: não é sobre construir verde, é sobre construir certo. Nesse momento pensei: como?  E o BIM apareceu como resposta (depois de mais algum tempo de pesquisa e estudo).

O BIM trata-se de processos, políticas e tecnologias, que permitem uma construção virtual. Ao se construir virtualmente você otimiza seu resultado final em uma série de pontos. Afinal, como eu sempre digo: Build it twice, built it right. Once in the digital, another in the real. O BIM é incrível porque você tem softwares paramétricos, que impedem inconsistência nas informações, e te garantem resultados muito mais precisos. É incrível pois estimula os profissionais envolvidos no processo a trabalharem em colaboração, e a tomarem decisões em etapas anteriores. Você consegue simular, prever, antecipar, melhorar... É um simulador. (Imagina um simulador desse pra sua vida, te prevenindo de cometer erros e garantindo sempre que você tome a melhor decisão? Você deixaria de usar?)

Pois, tomei minha decisão. Seria isso e seria isso, não importava o que custasse (falando assim, nem parece que sou libriana - para aqueles que não se ligam em astrologia: o signo de libra é conhecido por ser altamente indeciso). Mas tinha um pequeno problema: sou de uma cidadezinha do interior do Paraná, chamada Londrina, ou pequena Londres. Então: como? Na época, não conhecia nenhum escritório que trabalhava com softwares BIM e nem uma construtora (Alerta aos moradores de Londrina e região que estão lendo: hoje já existem vários). Comecei a dar aulas... Aulas de Revit, aulas de Navisworks, aulas de geometria, aulas-de-qualquer-coisa... Para uma aula de 4 horas que eu dava, eu estudava no mínimo 16 horas. Para cada dúvida, eu estudava mais 4 horas... Fazia mais e mais cursos para poder melhorar minhas aulas... Eu tinha um propósito. Minha vida tinha ganhado um significado. A cada dia eu queria mais e mais e mais e mais (hoje eu ainda quero mais e mais e mais...). Estudando um dia pensei: Sacks e Chuck, me aguardem . Eu iria dar aulas. Era isso.

Eu estava muito feliz com a minha vida, eu já tinha metas estabelecidas (perceba, eu só fui capaz de estabelecer metas, depois que eu descobri o que me movia) e de repente a BIMobject apareceu na minha vida. E acredite, se eu já estava feliz antes, quando essa oportunidade surgiu, eu entrei em êxtase. Minha vida deu um salto tão grande que é dificílimo descrever. A BIMobject se alinhava com exatamente tudo que eu acreditava. Independente da sua crença, para mim toda essa caminhada, e principalmente trabalhar na BIMobject foi um presente de Deus, que sou grata todos os dias.

Comecei a trabalhar com pessoas incríveis e para pessoas incríveis. Sou fã de cada uma das pessoas que trabalham comigo. Stefan, Ben, Marek, Mario, Ines, Belen, Marcin, Steve, Kurt, Emil, Matthew... Faltam linhas para citar todas as pessoas e falar as mil maneiras como cada uma delas me inspiram e como sou grata a cada um de maneira diferente. Se antes eu estudava 24/24, eu passei a estudar 48/24. Eu passei a estar ligada a cada segundo do dia absorvendo tudo que eu podia das pessoas que passaram a fazer parte deles (mesmo que a distância).  Minha sede de aprender aumentou 100000x . Antes tinha hora de estudar, hora de trabalhar, hora de ficar com minha família... De repente tudo tinha virado uma coisa só: minha vida. E o mais incrível: embora não estivesse trabalhando com educação da maneira tradicional (como imaginei inicialmente que trabalharia), meu trabalho me garantia horizontes ainda mais amplos, eu poderia ensinar ainda mais pessoas , sem estar limitada a uma sala de aula e compartilhar o conhecimento de maneira muito mais livre.

Minha vida, na qual eu procuro estar presente de corpo e alma, porque de tudo eu extraio um aprendizado. Minha vida, na qual eu procuro não desperdiçar nem o meu tempo e nem o tempo dos outros, por ter compreendido o real valor do tempo.

E nessa minha caminhada conheci: Guilherme, Renato e Artur. Que tinham histórias de vida diferentes, mas um mindset como o meu: causar um impacto positivo. E então começamos a caminhar juntos. E cá estou, escrevendo na BIMExperts para vocês.

"A miséria que o oprime não decorre de sua profissão, mas de você mesmo! Quem no mundo não acharia sua situação intolerável se escolhesse um ofício, uma arte, aliás, qualquer estilo de vida, sem experimentar um chamamento interior? Quem quer que nasça com um talento, ou para um talento, certamente o considerará a mais agradável das ocupações! Tudo na Terra tem seu lado difícil. Só algum impulso interior – o prazer, o amor – pode nos ajudar a superar os obstáculos, a desbravar o caminho e a nos erguer acima do círculo estreito em que outros arrastam suas existências angustiadas e miseráveis"— Goethe

Resumindo:

  • Quer saber sua vocação? Se permita tentar e tentar e tentar. Estude, pesquise, explore, trabalhe... Não vai aparecer no seu colo enquanto você está assistindo Netflix;
  • Você tem todo conhecimento do mundo disponível na sua mão. O que você está fazendo com isso?
  • A coisa mais preciosa que você tem, que pode ser roubada de você, é o seu tempo. Valorize o seu tempo. Seriados são legais, mas tem várias coisas mais legais do que isso.
  • Não confunda prazer com felicidade. Ficar sentado na praia, quase dormindo e bebendo agua de coco é extremamente prazeroso. Mas isso não é felicidade.

Quer saber de onde vem toda essa inspiração? Esses dois livros são TUDO DE BOM! 

Mariana Macedo

Engenheira Civil, LEED GA, com pós graduação em Gerenciamento e Execução de Empreendimentos da Construção Civil atualmente realizando mestrado profissional em Gerenciamento de Projetos na USP e MBA em Business Intelligence. É Business Developer da BIMObject, além de ser super sorridente, entusiasta e feliz (quase o tempo todo).

Um comentário em “Como (e porque) comecei a trabalhar com BIM

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