As dificuldades de implementar BIM no Brasil

10/11/2015MODELAGEM-3D

Produtividade. Qualidade. Sustentabilidade. Previsibilidade. Como sabemos muitas são as melhorias que temos com a utilização do Building Information Modeling, porém ainda são raras as universidades que abordam esse conceito; além disso, as empresas relutam em adotar toda uma nova metodologia com tamanho grau de renovação.

O maior investimento inicial com a adoção do BIM pode desfocar o ganho de produtividade e lucro em longo prazo. Seja por falta de dinheiro, informação ou até por terem uma cultura antiga de construção, os responsáveis por cada etapa do projeto não demonstram o devido interesse pelos benefícios de ter um projeto totalmente previsível e integrado (com exceção de arquitetos, que vêm adotando o uso do Revit, por exemplo, há algum tempo). Além disso, como veremos a seguir, a falta de padronização e normas sobre modelagem tridimensional e paramétrica é outro fator decisivo na hora da implementação.

Mas afinal, quem já implementou ou está implementando e quem ainda está iniciando com BIM, e por quê?

O Brasil, de forma geral, está em um estágio intermediário entre o primeiro e o segundo estágio de adoção. Segundo Succar (2009), o primeiro estágio de adoção é aquele em se baseia principalmente na parte tecnológica do BIM (leia-se Revit, ArchiCAD…), e é geralmente utilizado apenas por uma disciplina do projeto. Os resultados são desenhos, quantitativos e relatórios sobre o projeto correspondente, porém não passam disso.

O segundo estágio conta com o compartilhamento multidisciplinar, quando, por exemplo, há a colaboração direta entre arquiteto e calculista. A interoperabilidade, a comunicação do modelo arquitetônico e estrutural (ou quaisquer outros), permite uma maior previsão de interferências, mudanças e melhorias no projeto, antes mesmo dele sair do papel computador.

Busca-se atingir integralmente esse segundo estágio em pouco tempo, mas cada fase do projeto tem as próprias barreiras a serem derrubadas. Capacitação dos projetistas, aquisição dos softwares, padronização de bibliotecas e mudança da tradição da empresa, são algumas delas. A seguir cito outras, por disciplina:

Arquitetura

Por ser o responsável por um dos primeiros passos do projeto como um todo, o arquiteto desempenha um papel fundamental na implementação do BIM no decorrer do projeto. É do escritório de arquitetura que deve sair o primeiro arquivo compatível com o conceito de Modelagem da Informação da Construção, e felizmente o atual cenário desses escritórios no Brasil é, no mínimo, animadora: existe o interesse e o trabalho já está sendo feito.

Os problemas encontrados na disciplina de arquitetura para implantação do BIM estão muitas vezes relacionados a terceiros. Por exemplo, apesar do interesse, há uma escassez forte de profissionais capacitados ou há a incompatibilidade com os parceiros de projeto. No entanto, podemos ainda encontrar empresas onde sua equipe é resistente à mudança de software ou alegam que “não há tempo” para implantação.

Estrutural

Há certo interesse por parte dos engenheiros estruturais, contudo a falta de normas e padronização no uso de BIM estão entre os principais retardadores da adoção completa do conceito.

Não há uma única ferramenta trivial que lide com toda a complexidade de um projeto estrutural, portanto a transferência de dados de um software para outro se torna arriscada. Um projeto estrutural lida com informações muito sensíveis, e uma verificação adicional (ou seja, que demanda tempo) é indispensável na transição de informações.

MEP – Mechanical, Electrical and Plumbing

Os problemas enfrentados pelos engenheiros estruturais são ainda mais notados no projeto hidrossanitário e também elétrico (falta de normas, padrões e bibliotecas). Cada disciplina tem de lidar com os problemas enfrentados pelas anteriores, o que torna o uso do Building Information Modeling muito escasso desse estágio para frente. Mesmo assim, temos como grande exemplo a empresa Tigre, que investiu forte em bibliotecas e templates para usuários do Revit MEP; com tamanho incentivo e interesse de grandes companhias, todo o processo de modelagem da informação da construção sai ganhando, uma vez que se tornam ainda mais palpáveis os bons resultados.

Cliente final

Com o grande número de informações que o cliente pode ter antes mesmo de ter o projeto concluído, os imprevistos são minimizados junto com seus custos. O nível de exigência dos clientes está crescendo; assim, há varias customizações e mudanças que variam muito a cada novo projeto.

Por isso, é essencial o cliente saber que solicitar o uso do BIM facilita toda essa demanda. É importante também que seja difundida essa ideia e que ela se torne cada vez mais visível para pessoas fora do ambiente de projetos.

Incentivos do governo

Foram anunciadas 200 medidas do governo federal em 2013 para impulsionar a economia, e três delas estão relacionadas ao BIM; na íntegra:

Fonte: http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/images/data/201304/d874d3cdbd3a7e5d9cf32a28a3b083b0.pdf (acessado: 03/11/2015 18:00)
Fonte: http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/images/data/201304/d874d3cdbd3a7e5d9cf32a28a3b083b0.pdf (acessado: 03/11/2015 18:00)

 

Também foi apresentado, pelo Governo do Estado de Santa Catarina, um caderno técnico de projetos que é a base para apresentação e desenvolvimento de projetos BIM. Nele constam padronizações e formatações para os documentos a serem entregues; esse padrão se tornou obrigatório para projetos desenvolvidos para a Secretaria de Estado de Saúde de Santa Catarina.

O Exército Brasileiro também conta com a rede BIM, sua organização e dedicação é um exemplo para a implementação do processo no Brasil.

Previsão

O Brasil, tendo o mercado da construção civil deste tamanho, tem um potencial gigantesco de otimização de obras e planejamento. Além disso, com uma possibilidade de diminuir em mais de 10% o custo total de uma obra, ainda assim aumentando a qualidade e a tecnologia aplicada nos projetos, maior será o capital que poderá ser reinvestido e aplicado ao nosso setor. Parceiros como nós da BIMExperts potencializam esses avanços com a divulgação da informação, das boas práticas construtivas e do auxílio aos interessados.

 

Faça parte disso, compartilhe a informação e aplique seu conhecimento.

 

Confira aqui uma lista com os usos do BIM que podem não ser tão conhecidos (mas são muito úteis):

http://bimexperts.com.br/5-usos-do-bim-que-voce-nao-conhecia/

Conheça a campanha da Autodesk para a implementação de BIM (Inicie seu projeto piloto BIM agora):

http://www.autodesk.com.br/campaigns/bim-aec/bds

Renato Gheno dos Santos

Gaúcho, graduando da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no curso de Engenharia Civil. Participou do programa Ciências sem Fronteiras quando estudou na St. John's University e na Arizona State University. Fascinado pela engenharia estrutural e por empreendedorismo. Membro da liga de empreendedorismo i9 e colaborador do BIMExperts. Facilmente encontrado em fb.com/natogheno. :D Mais informações: https://br.linkedin.com/in/renatogheno

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