A casa em chamas e o modelo 3C de colaboração

No livro Connected, dos autores Nicholas A. Christakis e James H. Fowler, é explicado como conexões afetam nossas vidas, e para exemplificar a forma como funcionam nossas conexões foi usado o exemplo de uma casa pegando fogo.

Se a sua casa está em chamas e existe um rio próximo a você, mas você está sozinho, você terá que gastar muita energia e tempo tentando apagar o incêndio. Indo e voltando com baldes de água, mas sem ajuda, você nunca será capaz de trazer água de forma rápida e em quantidade suficiente para acabar com o incêndio.

Agora, se você possuir cem vizinhos dispostos a cooperar, todos com seu próprio balde e fortes o suficiente para correr inúmeras vezes do rio até a sua casa, você definitivamente tem um cenário melhor do que fazer isso por conta própria. O problema é que muito tempo e esforço é desperdiçado no percurso do rio até a casa. Muitos podem se cansar, outros podem se perder, derramar água pelo caminho, ou dispensar água em locais que não são críticos. Se cada pessoa agir independentemente, não será possível acabar com o incêndio.

Finalmente, se você possuir cem vizinhos, dispostos a cooperar, todos com o seu próprio balde e organizados em uma brigada, na qual é feita uma fila do rio até a casa, onde os baldes cheios vão até a sua casa e os vazios até o rio, você garante que seu problema seja solucionado de uma maneira mais eficiente. Essa organização garante a otimização da energia e tempo das pessoas e permite que qualquer um ofereça ajuda, seja forte ou fraco.

 

Apesar de parecer bastante simples, esse exemplo é polivalente, e podemos tirar lições importantes para diversas áreas. Vamos pensar em uma estratégia BIM.

Se você trabalha em uma empresa, existem várias pessoas que podem fazer contribuições importantes, mas você é o único empenhado em realizar a implantação, você terá de gastar muita energia e tempo, e no fim seus esforços serão insuficientes, afinal BIM não se faz sozinho.

Agora, se dentro da empresa todos estão dispostos à cooperar e todos tem o treinamento e conhecimento necessário, mas não existe coordenação, política ou um plano de implementação, e cada um age da maneira como acha conveniente, o resultado que você terá é uma estratégia BIM pouco eficiente. Claro, que como no exemplo da casa em chamas, este cenário é muito mais animador do que o primeiro, mas ainda sim é insuficiente.

De maneira simples e bastante idealizada, somente quando você possui todos dispostos a cooperar, devidamente capacitados, com uma coordenação e um plano de implementação, você consegue ter uma estratégia BIM eficiente. A organização é fundamental para garantir a eficiência em qualquer implementação. E é isso que sempre temos que ter em mente,  que o todo é maior do que soma das partes, isto porque no todo você possui complementação de capacidades, de conhecimentos e de esforços individuais, o que garante uma maior chance de sucesso devido a colaboração.

Para colaborar, a comunicação e a organização dentro de um espaço compartilhado são fundamentais. As trocas ocorridas durante a comunicação, geram aspectos que devem coordenados, e uma vez organizados são executados a partir da cooperação de todos. Ao cooperar os indivíduos têm necessidade de se comunicar para reavaliar o que é feito e para tomar decisões sobre situações não previstas inicialmente. Isto mostra o aspecto cíclico da colaboração.

O aspecto cíclico da colaboração e a comunicação entre todas as partes, reforçam que uma estratégia BIM não se restringe à um departamento, e que não se desenvolve em apenas um ciclo, é um processo contínuo e exige muito mais do que apenas integração, mas sim uma efetiva inclusão na cultura da empresa, capaz de fazer as pessoas colaborarem eficientemente, otimizando o uso das ferramentas e garantindo procedimentos adequados, somente assim pode-se atingir resultados surpreendentes.   

Cooperation is the foundation of human development, in that we learn how to be together before we learn how to stand apart.
— Richard Sennett, Together

Mariana Macedo

Engenheira Civil com pós graduação em Gerenciamento e Execução de Empreendimentos da Construção Civil atualmente realizando mestrado profissional em Gerenciamento de Projetos na USP e MBA em Business Intelligence. É Business Developer da BIMObject, além de ser super sorridente, entusiasta e feliz (quase o tempo todo).

Um comentário em “A casa em chamas e o modelo 3C de colaboração

  • 05/06/2017 em 11:42 AM
    Permalink

    Excelente texto! Parabéns Mariana, um sociedade cooperativa pode fazer muito mais!

    Resposta

Dúvidas, sugestões ou comentários?

Translate »
%d blogueiros gostam disto: